segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Restauro de identidade
A custo, sem boa vontade
Crise, oposto de mim
Olhar o futuro, penoso, atroz...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Proximidade do oculto
Rejeito a luz, vulto
A lucidez que já não trago
Do passado, sinto, amargo.

Não encontro razão aparente
Que me obrigue a ser gente
Porque já o sou,inevitavelmente,
Igual, não sou diferente...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Esqueço em momentos
O que esqueço são sentimentos
Cobarde, como só eu
Amigo do oculto, pecado de Prometeu...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Possuir a virtude
De sentir, na plenitude
Deixa-me ver, paraíso metafísico
Deserto de ideias, afectos.

Desejar a verdade
Perto de mim, és saudade
Do que foi e não mais será
Luz trémula, já a não há!

E num grito de infinito
Sou poeira de mim, extinto
Imagino o rubor, e a tua face
Que me persegue, porque te sinto...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Corpos invejosos
Mortos, de sonhos
Prostrados, sem alma
Neste leito, que me acalma.

Triste de pensar
Outra vida, outro lugar
Onde me mostro, sem pensar
À sombra, não sei dizer...

Por força de mim
Procuro, não alcanço, não...
É ardor que me consome
Cruel, seco, diferente de mim...

Amarrado, mudo, impotente
Fujo de mim, e da gente
São vultos, são frios, são o não ser
Igual a mim ou ao mundo, não sei dizer...

Agora sinto a presença
Desta dor, que me acende a inteligência
Escrevo porque deprimo
Não sei deprimir para escrever...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Relógios desiguais
Falam do tempo, nada mais
Não lhes encontro o lugar
Não procurei, devagar...

Ao encontro do que vem
Não sei se algo, se alguém
Deixo-me levar pelas mágoas
Lavam-me a alma, mágoas são como águas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Desconcertante a facilidade
Que vai do sonho à realidade
Às vezes és minha. e depois
És do mundo, deixas saudade...

As perguntas que me faço
Quando existe dúvida no meu espaço
São se sou ou saberei ser
À tua altura, à de um abraço...