segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Irrompem as mão sujas dessa água sem reflexo,
Não há sol por vir, arrastam-se os sentidos...
As horas perecem, assim como o corpo, e o chão não se deixa pisar...
Deixou-se de coragens e lembrou quem lhe olhou de volta...
Longe os tempos das margens que não o esforçam, o cansaço já é dele,
E ele, nem ousa olhar para cima, falta-lhe fé...

domingo, 22 de agosto de 2010

Assim é fácil largar o chão,
O passado, esse já não me pesa...
Não são lamentos que anunciam a mudança,
De eu em eu me acho sendo...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Guardo-me para o virar da página,
Largo as últimas forças na sorte...
Fatigado de recomeçar, renascer, ressuscitar,
Permaneço nas cinzas, e espero o sopro de Ti...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Meus dias são esse brilho, embriaguez...
Encolhido, onde só há pó, desconforto...
Não me canso de lá voltar, aos dias...

Está escuro e os olhos cerram de sua vontade,
Largando à sorte a memória ou falta dela.
Já não há mais, desses dias...

sábado, 17 de julho de 2010

Esses paraísos,
Estéreis dos que não sonham,
Anseio encontrar-lhes o sítio...
É escura a estrada do lado de cá,
Não me sinto a caminhá-la, não já!
Observo a bruma, perdura o tédio,
Quentes são meus olhos, de não ver...

São esquecidas as revoltas, insípidas...
Provo da condição de resignar, ceder,
Mas cedo na obrigação da mistura, corpo
Onde individual não existo, inócuo...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sonho, empresto-me ao irreal,
Desperto deste corpo, transtorno...
São certas as tormentas que me crescem,
É com mãos minhas que me levo a nascer...

São vagas, estas horas de desprendimento,
De luto pelo infeliz que sempre me quis...
São danças de conforto, miseráveis paisagens!
Não lhes toco, minhas, só assim o serão...