domingo, 20 de fevereiro de 2011

Caminho baixo no escuro, toco-te ao de leve...
Voltas-te com o arrepio e logo desapareço...
Sigo-te com este coração cego, embargado
Pelos choros mil que guardei de ti...

Finjo decisões acertadas, invento o conhecer,
Nunca destapo esta verdade que me faz vil...
E nesta consciência da falta de pureza,
Deixo de ser eu para ser teu, melhor...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sabes a que sabe ter uma vida?
Ou alguma? Mais do que esta que não há...
Meus olhos olhando apenas perto...
O suspiro é igual a ele próprio, mal se ouve...

Eis a razão que me leva à cor!
Paisagens estagnadas, sem entrelinhas...
Passos desorganizados, mal sabem pisar...
Perdões ao desbarato, aos quais igualmente cedo...

Olhai-me, sou retornado da cor!
Não me opus a ela, não a soube ter...
Encosto-me ao canto marcado por outros regressos,
Sustenho a respiração, em jeito de encorajar...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Importa saber da inevitabilidade,
O acaso que acompanha o caminho...
Procuro espaço livre para descansar,
Tempo rápido, nem chego a baixar os braços...

Comparações, nas guerras, na decisão...
Sabem-me a verdade, e a teimosia, orgulho...
Saio, para no regresso me encontrar onde me deixei...
Vida sonhada, essa é breve, escorregadia, absorvente...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ainda ouves os passageiros,
Ainda os sentes? A viagem foi curta,
Nem te cheguei a ver...

E essa maré de que falas?
Será nossa? És tu minha?
Quero-te saber...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

São pérolas, as de agora...
Sonho-as e deixo de seguir em frente...
As razões irracionais, proximidade,
São para qualquer idade e, na verdade,
Iguais, sem distância, na viagem...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Meus dias não são sóis,
Vivem da perda da claridade, da lucidez...
Meus dias não contam idades, vaidades...

Que mais sei do acordar, senão
Que me toma o sonhar?
Deixo-me longe...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Trago de mim o transtorno,
Deixo-o ser dono, não me oponho...
As mãos, negras... A falta...
Falta-me ser um, não sou só...
E a mudança, que é dela?
Não sou de sobra...