sábado, 27 de março de 2010

A vida dói-me tanto,
E no espaço do entretanto,
Sossego e concluo sem espanto,
Que dói porque tem de doer...

Neste momento de pausa,
Recordo a sensação de posse,
Ter a sorte da proximidade,
Aparente que era, já o não é...

Descanso enfim desta dor,
Encontro-lhe até serventia.
Prometo-me não padecer dela,
E sorrio, porque sei que sim...

sábado, 6 de março de 2010

Morrer, antes de o mundo ceder...
São lágrimas limpas, sonho, prazer...
Cessar, secretas palavras, não lhes sei
A altura certa, soam vãs, embargadas...

Sorte necessária, obrigatória, ambicionada
Pela dor de coração, solto, inacabado!
Mantenho a clausura, antes da liberdade...
Não me extingo já, assisto, reparo o anoitecer...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

No meio desta agitação, tumulto,
Sei e ouço os teus passos, leves, frescos...
Reconheço até o respirar, a graça, subtil.
Falto-me porque me dei, olhos escuros...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A susceptibilidade que demonstro,
No ambíguo, no desacordo, no vão...
Telas de cores pálidas, promessas inválidas,
Arte do silêncio, aguardo, paciente...

Que será deste tempo? Deste julgamento...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Levo as mãos ao rosto, afago as rugas
Que são de agora, infância passada…
Assumo esta vontade de reviver, lembrar,
Mas não largo estas rugas, nem a criancice…

O riso desconfortável que sucede o elogio,
O olhar baixo, de amor, devoção, medo…
São minhas puerilidades adultas, remanescentes,
Desdenho de quem não as tem, vida mutilada…

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Profuso da inconstância, rodeio-me de quietação,
Sossego das horas apressadas, súbitas, impetuosas.
Guardo esse brilho, de olhos escuros, refulgente,
Ostenta tamanha vida, pleno, é quase gente…

É de mim que a vida cai, esvoaça sem licença.
Escorre sem complacência, condescendo à inevitabilidade.
Sinto o calafrio, dos olhos escuros, emoção indigente,
Da sombra, da nova vida. Padeço daquele brilho...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nesta arte à qual me predispus,
Sou afectos e desamores, esquecido...
Encontro o sonho desaparecido, alto,
Largo-me nele, entre espaços de melancolia...

Pouso as mãos nestas páginas, escuras,
E crio louvores ao irreal,tinta preta...
Perco as páginas e saboreio os lábios vermelhos,
Perco o medo à corrente, deixo-me ao sabor...